Federal diz que André e parceiros movimentaram R$ 150 milhões em propinas.

Campo Grande(MS) –  A Gráfica Alvorada emitiu notas fiscais frias para lavar dinheiro de propina de empresas envolvidas no esquema investigado pela Polícia Federal na operação Lama Asfáltica. O dono da empresa, Micherd Jafar Junior, foi uma das três pessoas presas durante a quarta fase da ação, desencadeada na quinta-feira. Em coletiva de imprensa a  corporação informou que a participação de Jafar Junior deu-se em várias frentes. Em uma delas, simulou negócios com o grupo JBS para esconder pagamento de vantagens em isenções fiscais obtidas junto ao Governo Estadual. Ou seja, parte dos valores que a companhia deixava de pagar em impostos parava nos bolsos da organização criminosa e para dar um fundamento “legal”, compras falsas junto à gráfica eram faturadas.

Além disso, a gráfica também foi responsável por intermediar junto à Secretaria Estadual de Educação a compra de R$ 11 milhões em livros paradidáticos que sequer foram totalmente usados  pelos alunos. Os materiais foram comprados sem licitação com base em um parecer de um servidor da secretaria que não foi encontrado pela PF. Contudo, outros especialistas ouvidos pela corporação atestaram que a obra não era a única que poderia ser usada, mas as opiniões deles foram ignoradas pela administração pública, já que a intenção era favorecer o esquema criminoso. Em fases anteriores da Lama Asfáltica, a polícia apurou que o ex-governador André Puccinelli (PMDB) recebeu parte do dinheiro dessas transações.

 

Além de Micherd, também foi preso André Cance, ex-secretário-adjunto da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda). Um terceiro mandado de prisão emitido para a quarta fase da Lama Asfáltica ainda não foi cumprido.Além disso,  a  polícia encontrou munições na casa do Proprietário da H2L Soluções, Rodolfo Holsback. Ele foi detido  e prestou  depoimento na sede da Polícia Federal ontem de  manhã. Também há nove mandados de condução coercitiva, 32 de busca e apreensão, além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas. No interior, mandados foram cumpridos na sede da Eldorado Brasil em Três Lagoas e também nas cidades de Porto Murtinho e Nioaque. Policiais também vasculharam empresas em São Paulo e Curitiba.//

 

Desvio de Recursos do Aquário ; A Polícia Federal diz que está comprovada a “má gestão” da obra no Aquário do Pantanal.   A construção estava orçada inicialmente em R$ 84 milhões, e foi  superfaturada com itens que não estavam previstos no projeto original. Prejuízo chegaria a R$ 2 milhões é apontado como certo pela PF.  O  dinheiro foi pago por serviços não executados, conforme a investigação.Um dos fatores que contribuiu para a má gestão da obra, segundo a PF, seria a assinatura de “contratos acessórios” sem a realização de licitação para acrescentar elementos que não estavam previstos inicialmente. Foram  30 termos aditivos. Do total da obra do Aquário,  65% são de itens não licitados, sem concorrência, com pagamento de itens que não constavam no projeto original. O que configura prova da “má gestão” na construção e prejuízo  de  R$ 2 milhões aos cofres públicos, o destino do dinheiro não foi identificado.O s recursos teriam sido pagos, mas não aplicados nas obras, indicando sobrepreço e superfaturamento. Com os contratos acessórios e termos aditivos, a construção já consumiu R$ 230 milhões. Atualmente, o Governo do Estado busca alternativas para concluir a obra, como reduzir os custos finais do projeto, deixando algumas partes para depois, como laboratórios e estudos científicos.

Da redação. 

Foto Divulgação.